segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Meu mundo.



    Mais uma vez estava ele ali, olhando para o nada, com a mente voltada em tudo o que passara nas últimas horas. Os dias estão cada vez mais complicados de serem vividos, as horas nunca passam no ritmo que queria e quando menos esperava, o dia já acabara e novamente não pôde viver como queria.
    Sua maior vontade era ter um mundo só seu, um mundo onde não pudesse ser apenas mais um ali passando do outro lado da rua ou aquele por trás de uma janela olhando para o céu. Queria um lugar perto dos seus sonhos, perto de tudo o que sempre quis ser e nunca foi, de tudo o que sempre quis e nunca teve, perto dele, apenas dele.
    A rotina do dia-a-dia não sustentava mais suas ambições, era tudo tão normal. Não que a normalidade fosse ruim, mas era um pouco sem graça. Justamente a graça que tentava buscar em tudo o que fazia, em tudo o que dizia e até do que comia. Preferia viver olhando aquilo que não pertencia ao normal, admirando o que lhe era, as vezes, tão absurdo, rindo daquilo que era, as vezes tão comum.
    Nunca tinha descoberto nada que pudesse curar esse seu mal, o mal de não querer ser tão normal, por mais que ser normal não fosse ruim. Queria aquele veneno antimonotonia que sempre ouvia na voz de Cassia Eller. 
     No quarto passando o tempo esperando o tempo passar, resolveu ver se tudo o que vivera tinha realmente sido tão chato quanto achava que tivera sido. Foi mexer nas suas coisas antigas. Aquelas coisas empoeiradas no canto tinham ficado ali por algum motivo, talvez por que algum tinham sido especiais. Fotos de momentos especiais, desenhos de momentos inesquecíveis e ... um livro...um livro? O que ele fazia ali? Quem o colocou ali?
    Tirou a poeira e abriu, é tão normal ver e abrir livros. Resolveu ler, isso sim não é tão comum como se pensa. A cada linha lida uma vida de volta. Nossa, foi ele próprio que escreveu. Tinha uma letra linda, quase de menina. Riu das besteiras que escrevia, riu de como escrevia. Será que um dia ainda conseguiria escrever assim? Sem preocupação com o que escrevia, sem preocupação com quem lia. Apenas escrever. Como era bom contar a si próprio o que sentia. Sabia que leriam tudo, mas escrevia para si. 
    Resolveu voltar a tudo o que tinha passado antes. Resolveu voltar a sonhar, resolveu voltar a ser dono de um mundo só seu, resolveu voltar a amar alguém que ele queria que o amasse também. E passou o tempo assim, resolveu voltar a escrever. Pois viu que ali o tempo também era seu.

domingo, 14 de novembro de 2010

Como é difícil dizer "eu te amo".




    Palavras presas na garganta e uma enorme vontade de soltá-las, mas como é difícil dizer "eu te amo".
    Vê-la todos os dias, abraçá-la, tê-la sempre perto de mim e não conseguir simplesmente falar o que sinto...Palavras não me faltam, vontade também não...Mas tenho medo. Não medo de recusar, não, já não sou mais criança para ter medos de não. Mas tenho medo das consequências desse não, de como seremos, de como nos veremos depois.
     Enquanto o medo não se vai e palavras ficam presas na garganta, apenas me lembro de tudo o que não aconteceu entre nós. Apenas te vejo ir com a esperança de te ver de novo amanhã. Apenas fico esperando a coragem de um dia te falar como eu te amo, como você me faz bem e como queria tê-la em meus braços.
     Sei que ainda posso me arrepender de ter demorado tanto para abrir meu coração, e que essa demora possa ter significado te perder, mas não é tão fácil como nos filmes. O receio de não te ter nem como te tenho hoje não me deixa nem sussurrar tudo o que tenho para te dizer.
     Por enquanto apenas sonho com o momento que te direi tudo e que tudo terminará bem. Sonho com o nosso amor, esperando o dia que descobrirei verdadeiramente o que é amar...
     Mas como é difícil dizer "eu te amo"...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

É Hoje!!!



    O hoje é o dia mais importante que vivemos. 
    Cansei de esperar o que vem amanhã por causa do que houve ontem. E hoje? Será que percebi o que houve hoje? Será que vivi o que aconteceu hoje? Ou será que estava muito ocupado pensando no que farei amanhã? Ou será que estava muito ocupado pensando no que fiz ontem? Amanhã com certeza vou me perguntar o que não fiz, pensei, vivi hoje.
    Um oi, um abraço, um beijo, um amor, um sonho. Coisas que fiquei muito preocupado em fazer amanhã. Coisas que deixei de fazer hoje. Coisas que deviam ter sido feitas ontem. E por que não fiz? Ou melhor, e por que não faço? Ainda é tempo de fazer muita coisa que queria ter feito e não pude, a carruagem nem virou abóbora ainda. Ainda tenho meus sonhos, ainda tenho meus amores, ainda tenho meus beijos, ainda tenho meus abraços, ainda tenho meu oi e tenho um relógio me dizendo que ainda não é meia-noite.
    Melhor do que acordar com raiva do que fez , ou deixou de fazer, ontem, é acordar tendo a certeza do que pode ser feito hoje. O ontem serve para nos lembrar do que podemos, ou não, fazer, do que devemos, ou não viver. O amanhã serve para nos lembrarmos do que fizemos hoje. E o hoje? Serve para não fazermos o mesmo que ontem, e para fazermos o que não faremos amanhã.
    Para que me preocupar com contas amanhã, se posso me preocupar em controlá-las hoje? Para que me preocupar com trabalhos amanhã, se posso me preocupar em fazê-los hoje? Para que me estressar amanhã com o beijo que não dei, se posso dá-lo hoje? Para que me arrepender amanhã de nunca ter me deixado apaixonar, se posso me entregar a uma paixão hoje? Para que me arrepender de não ter vivido amanhã, se posso viver hoje? Para que deixar um sonho para amanhã, se posso sonhá-lo hoje?
    Quero viver cada hora do dia, cada dia do ano, cada ano de um segundo.
    O mundo não teria graça se pudéssemos voltar no tempo e corrigir o que fizemos no passado. Menos ainda se pudéssemos viajar no tempo para ver nosso futuro. Não temos mais o passado e ainda não temos o futuro. E agora? Só temos o hoje. Apenas o hoje. Nada mais do que o hoje... Pra que melhor? Ainda temos o hoje, e ele vai valer mais do que o ontem,que já veio e já foi, e está valendo mais que o amanhã, que nem sei como vai ser.
    Vivamos o mais importante dia HOJE!!!!!!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Tudo o que não aconteceu



    Estava ali parado, sem pensar em nada, apenas querendo não pensar em nada. Não consegui. Parada na minha frente estava lá também ela, apenas parada, acho que também sem pensar em nada. Nesse momento tudo foi muito rápido...
    Nossos olhares distantes ,vagos e perdidos se encontraram, se encheram, se aproximaram. Nunca tinha me percebido tão congelado como estava naquele momento. Queria poder ter ficado o dia inteiro ali, apenas olhando-a e vendo-a me olhar, mas não consegui. Fui ao seu encontro sem saber o que iria falar, o que iria fazer, apenas fui. Não me detive com a possibilidade de tê-la perto de mim.
    Como se estivéssemos ligados por um fio invisível nos abraçamos como se conhecêssemos a tempos, como se nos amássemos desde sempre. Tive a sensação de amar e de ser amado pela primeira vez. Não nos  controlamos e, levados pela simples força que é o amor, nos beijamos. Nossos lábios pareciam se conhecer, pareciam seres separados ao nascimento e que, mesmo depois de amadurecidos, nunca se esqueceram um do outro. Fui levado pelos meus sentimentos...deixei ser levado pelos meus sentimentos...pedi para ser levado pelos meus sentimentos.
   Barulho, correria, empurrões. O ônibus chegou. Subi. Fiquei a olhar pela janela seu olhar. Tudo o que me restou foi a sensação de que poderia ter ido lá, e seu olhar me dizendo "Por que você não veio aqui?". 
   Agora apenas lembro de tudo o que poderia ter acontecido e não aconteceu. Agora apenas lembro do seu olhar...