sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"Sonhe com os anjos!"



    Como sempre, hoje novamente sonhei. Mas algo diferente de tudo o que sonhara antes. Não que os outros tenham sido ruins, não. Mas este foi especialmente diferente. Sonhei com você.
    Nada de lembranças, nada de futuro, nada de pensamentos indecisos, nada além de você, nada além de nós. Não precisava de mais nada ali. Eu, você e um mundo inteiro só pra nós. Meu mundo inteiro só para nós. 
    O cenário não era o algo comum, era o nosso algo. O clima não era frio, nem calor, era o nosso clima. O tempo que se passou...uma eternidade de cinco minutos. Nunca tinha pedido tanto para um sonho não terminar. E não terminou. Continuou e continuará toda vez que estiver contigo.
    Pude te sentir ainda mais perto. Teu cheiro, que nunca sai de mim, estava ainda mais doce. Teu olhar, que nunca sai dos meus olhos, estava ainda mais vivo. Teu jeito, que nunca sai da minha cabeça, estava ainda mais meigo. Seu beijo, que nunca sai da minha boca, estava ainda sublime. Você estava ainda mais linda.
    Éramos apenas nós onde poderíamos ser nós mesmos.
  Pela primeira vez não sonhei com um amor imaginado, um amor esperado, um amor desejado. Sonhei com você, aquela que vivo. Sonhei com amor que hoje vivo.
   Hoje pude fazer o que você sempre me pede. "Sonhe com os anjos!". Sonhei com você mi angel!
    

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sonhos no papel




    Muitas pessoas arranjam formas de expressar o que sentem. Choro, raiva descontrolada, jogos, bebidas... As vezes apenas o que precisam é de alguém que os escute.
    Não consigo chorar, minhas lágrimas chegam no olho e voltam, não consigo descontar minha raiva em ninguém, não jogo enlouquecidamente, não bebo...apenas escrevo.
    Estrapolo tudo o que não para na cabeça, tudo o que passa no coração com tanta força que não posso segurar, tudo o que fica engasgado na garganta e não sai, tudo o que sou, o que penso, o que vivo, o que sonho.
    No papel é onde consigo ser aquilo além do que todos podem ver, aquele que tem sentimentos que vão além do sorriso, que só podem ser revelados por trás de olhos indecifráveis, que só apenas eu conheço.
    Poderiam me chamar de tolo, insensível, frio. Mas faço dos papéis minha garganta, meus olhos. Coloco em cada linha um pedaço de mim. Tenho até medo de que um dia possa me colocar todo nelas e desaparecer.
    Rabiscos em mesas, borrões esquecidos no fundo da mochila, cartinhas escondidas dentro de livros. Tudo o que escrevo carrega um pouco da minha essência. Quando encontro algo há muito tempo escrito, viajo no tempo junto com aquele pedacinho de mim que estava guardado. "Nossa como era infantil...", "...será que fui eu mesmo que escrevi isso?", "Queria poder viver tudo novamente."
    Quando era criança, brincava de ser escritor, inventava mil histórias de mundos fantásticos, imaginava o que não poderia viver. Quando adolescente confidenciava minhas paixões platônicas, minha raiva por ter crescido, minhas angustias de um quase alguém. Num passado mais breve me divertia falando de coisas alegres, falando as mais variadas besteiras, aprendia a fugir do mundo sorrindo. E hoje escrevo sobre sonhos, sonhos que reúnem desde histórias fantásticas, amores platônicos e besteiras, até meu real incrível cotidiano, amores reais e mais besteiras com as quais rio.
    Acho que não nasci para ser escritor, mas nasci com uma vontade incontrolável de escrever.  Poder colocar meu coração na ponta dos dedos me faz sentir bem, me faz sentir alguém, me faz sonhar ainda mais. O papel é a janela que me faz querer sonhar ainda mais.

sábado, 1 de janeiro de 2011

"O"




    Mais uma vez assim, frustrado, decepcionado, triste consigo mesmo. Talvez tenha até talento para não conseguir dar passos adiante. Talvez não quisesse precisar dar passos.
    Sempre foi titulado como o melhor, o "perfeito", aquele no qual não se poderia esperar erros. Todos sempre queriam o seu mais e o seu melhor. Todos sempre queriam vê-lo sorrir de orgulho por "tudo aquilo que fazia". Todos sempre pediam para que desse conselhos, servisse como exemplo. Uma referência de ser humano, de homem, de filho, de companheiro, de aluno, de cristão, de alguém. Um robô programado para sempre ser "o".
    Apenas ele via o quanto era difícil ser "aquele no qual todos esperam mais". Trabalho hercúleo. E não era semi-deus, nem super-herói de desenho, nem era o homem perfeito, nem era o melhor filho, nem era o príncipe encantado dos contos de fada, nem era o nota 10, nem era o santo, nem era ele próprio ás vezes. Não conseguia ser tudo aquilo que queriam que fosse. 
    Sua maior vontade era apenas que todos enxergassem que ele também tinha seus defeitos, suas falhas. Por mais que tentasse camuflar, tudo o que queria era mostrar que era apenas uma pessoa normal. Tinha medos, receios, desejos, fraquezas que nunca poderiam torná-lo "o". 
    Sua frustração advinha de dentro do seu próprio coração que apenas batia como os outros. Seu peito chorava, por mais que seus olhos continuassem abertos e sua boca estampasse o mesmo sorriso que fazia com que os outros o vissem como inabalável. Porém não queria que os outros sentissem o mesmo. Talvez por isso mantivesse os olhos sempre abertos e o sorriso sempre alerta para quem precisasse. Queria a alegria dos que amava, dos que conhecia, ou não, dos que estavam ao seu redor. Mesmo que essa alegria o fizesse se sentir frustrado por um pequeno sorriso que não se formou, por um pequeno olhar de "esperava mais".
    E calado no travesseiro chorava, não pelos olhos, mas pelo coração. Coração que sempre colocou na palma da mão, por mais que sua cabeça não o deixasse ouví-lo sempre. Coração ferido, não pelos outros, mas por suas mão de tesoura que só o fazem cicatrizes. Coração no qual sempre é cuidado por alguém que espera sempre mais dele. 
    Por mais que escutasse as vozes que lhe diziam "está com bobagem, você é ótimo, todos te adoram, nunca  se esqueça disso" sabia que sempre acabaria fazendo alguém criar expectativas que talvez não pudesse cumprir. Seu medo era que essa pessoa fosse alguém que amava muito. E era isso que o deixava assim, triste. 
   É garoto, a vida é assim mesmo. Enxugue suas lágrimas e siga. Sei que amanhã chorarás novamente. Mas já está tarde e agora só lhe resta dormir e sonhar.