12 de junho, dia dos namorados aqui no Brasil. Essa data nunca teve um significado tão grande para mim quanto teve esse ano. Pois é a primeira vez que passo com um alguém em tão presente minha mente, pois agora sei o significado do que é amar alguém.
Quem olha deve falar "Olha que lindo, é a primeira vez que ele passa o dia dos namorados, namorando alguém!". Engano total.
Já passei o dia dos namorados namorando sim, há três anos atrás, com minha primeira namorada. Foi bom, mas o que sentia por ela não passa nem perto do que pude experimentar nos últimos tempos. Namorava, mas não a amava, tinha o compromisso, mas não tinha o sentimento. E nesse 12 de junho estou sozinho, solteiro. Apenas relembrando belos momentos, em que pela primeira (e unica) vez amei alguém. E hoje me vejo com o sentimento, mas sem o compromisso.
A vida é assim mesmo, nos prega peças, nos deixa sem ação, desfaz os planos que fazemos. Queria poder ter passado esse dia com ela, un angél que apareceu em minha vida, mas que por motivos que não sei detalhar, teve que tomar seu rumo e voar para outros horizontes. Tinha planos de poder tentar surpreendê-la, me aproximar novamente, mas acontecimentos alheios à vontade de qualquer pessoa novamente me deixaram sem ação, ou pelo menos me expuseram ao medo que me apareceu novamente. Agora terei que guardar sua rosa, para alguma outra ocasião em que talvez eu esqueça esse meu medo.
Mas não vim aqui para fazer lamentos, meu coração é que as vezes chega mais rápido às minhas mãos que minha cabeça.
Só desejo àqueles que um dia vierem a ler esse texto, que, se caso não o tenham encontrado, um dia possam descobrir esse sentimento tão lindo, puro e intenso chamado amor. Que possam um dia olhar para alguém todos os dias e ver como ela está ainda mais linda. Que possam ter borboletas no estômago, suor nas mãos ao falar com ela. Que possa dar a ela uma flor verdadeira assim como os seus sentimentos. Que possam guardar suas cartas junto com os melhores momentos, as melhores sensações e os melhores sentimentos, mesmo que a vida a leve para caminhos diferentes dos seus. Que possa no futuro falar "um dia amei alguém"!
Por que as pessoas boas se vão logo? Foi uma pergunta que ouvi hoje. É uma pergunta que desde muito tempo tempo responder a mim mesmo.
Me deparei novamente com uma situação muito triste hoje, que me fez relembrar de uma das maiores dores que já senti nesses meus poucos anos de vida: a morte de uma pessoa muito querida. Não o conhecia, nem tinha nenhum grau de aproximação com ele, o que nos ligava eram pessoas amadas, mas suas descrições o fizeram real em minha imaginação. Uma pessoa que trazia alegria para todos os que conhecia, um pai, um avô.
As lágrimas e as recordações me levaram há um passado não muito distante, em que o dono dessas lágrimas e lembranças era eu. Em janeiro de 2001, tive a perda mais significativa em minha vida. Perdi meu espelho, perdi meu avô. Aquele que eu tomaria como exemplo para toda a minha vida.
Além da sensação da falta, do vazio, o que torna esse momento mais difícil é a sensação de impotência. Me senti um nada diante da força da morte. Demorei muito para me recuperar. O que me fez olhar de novo pra cima e me tornar forte novamente foi saber que tinha alguém que estava pior do que eu, minha mãe. Sei que ela tirou a força de continuar da gente, filhos, e foi por nós que se tornou ainda mais forte, ainda mais viva.
Essa frase e essas lágrimas foram derramadas por un angel, que se diz de asas negras, mas que ainda sim é un angel. Novamente me senti impotente, de uma forma diferente, mas ainda impotente. Tudo o que pude oferecer foi um ombro, o mesmo ombro que um dia carregou seu sorriso mais lindo e bobo, mas que hoje carregaram suas lágrimas mais doloridas. E tive que novamente me fazer forte, pois a dor pesa muito e as recordações também, mas pelas pessoas que amamos vale a pena aguentar um pouco.
O que me faz um pouco mais aliviado é saber que que essas pessoas se vão porque tem Alguém que precisa delas mais do que a gente. Sei que elas estão em lugares muito melhores, um lá em cima, ao lado de DEUS, e em outro bem aqui do lado esquerdo do nosso peito, marcados eternamente em nossos corações.
Por mais que os dias passem, e eu mude um pouco a cada dia, pude ver que algumas coisas ainda ficaram dentro de mim. Um pouco de um eu não muito distante, resquícios do que eu era, e talvez ainda seja.
Pensei que por tudo o que tinha passado, teria me tornado mais forte, mais corajoso, mais disposto a encarar os desafios do meu coração. Mero engano. Ainda sou o mesmo menininho medroso de sempre. Aquele garotinho que sempre teve medo de tentar e não dar certo, de falar e levar "nãos", de querer e não conseguir ir mais longe por puro receio das consequências dos seus atos.
Talvez esse receio já tenha passado desse nível, acho que já se tornou medo mesmo. Mas porque é tão difícil fazer aquilo o que falta saltar do peito, que grita desesperadamente no coração?
Tem gente que se diz vazio, por não sentir nada. Sou o contrário, sinto até demais, e isso sufoca. É tão esquisito que quando crio coragem o suficiente para por tudo pra fora, me faltam palavras, gaguejo, me enrolo todo. Falta de costume.
Meu maior medo é de fazer algo que possa me arrepender depois. Agir com o coração nem sempre é o melhor. Penso muito, muito mesmo antes de fazer algo, e esse pensar normalmente me faz desistir. Desisto não por não possa valer a pena, mas porque talvez seria melhor se tivesse desistido.
Esse medo agora que me aparece é semelhante aos de antes, não igual, mas muito parecido. Se antes tinha medo de falar pela primeira vez, hoje meu receio é fazer novamente, e acabar igual. Com certeza se tivesse uma nova chance faria muita coisa diferente, e deixaria de fazer outras coisas também. Pena que não podemos voltar no tempo, e talvez essa seja a maior lição da vida.